Nos últimos dez anos, o número de mulheres federadas no triatlo português mais do que duplicou, passando de 239 em 2015 para 610 em 2025. Este crescimento revela uma transformação estrutural na modalidade, que se tornou mais inclusiva, mais visível e mais atrativa para mulheres de todas as idades. Está tudo feito? Nem pensar. As mulheres representam apenas 25% do total de federados em Portugal, quando a média europeia ronda os 33%.

Quase duas décadas depois da histórica medalha olímpica de Vanessa Fernandes, os números servem de alento para continuar a trabalhar. A análise de longo prazo mostra um crescimento sustentado:

  • 2008: 85 mulheres federadas
  • 2015: 239
  • 2020: 402
  • 2025: 610

Entre 2008 e 2025, o triatlo feminino multiplicou o número de atletas por mais de sete vezes, refletindo não apenas o aumento de praticantes, mas também uma mudança cultural dentro da modalidade e do desporto português.

Este salto é acompanhado por um outro sinal positivo: a chegada massiva de jovens atletas:

  • 2015: 321 jovens atletas femininas
  • 2020: 314
  • 2025: 467

Depois de um período de estagnação, o número dispara para valores inéditos, demonstrando que clubes e escolas estão a conseguir captar mais jovens no triatlo. O aumento de mais de 150 atletas jovens entre 2020 e 2025 mostra que a modalidade está a expandir-se pela base, garantindo renovação e sustentabilidade. O desafio agora é tentar estancar o abandono das jovens na transição para a idade adulta, porque só desta forma será possível garantir que o Alto Rendimento não se ressente desse abandono.

Caminho diferente tem sido trilhado pelas treinadoras. Ao contrário do crescimento nas atletas, o número de técnicas revela oscilações mais acentuadas:

  • 2008: 23
  • 2015: 9
  • 2020: 12
  • 2025: 14

Apesar da forte quebra entre 2008 e 2015, o número tem vindo a recuperar gradualmente. A presença ainda reduzida de mulheres em cargos técnicos revela um desafio estrutural: criar condições, percursos formativos e oportunidades para garantir mais treinadoras no terreno.

No campo da arbitragem, apesar da crónica falta de recursos humanos, os números dão alguma esperança:

  • 2008: 14 árbitras
  • 2015: 25
  • 2020: 22
  • 2025: 32

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